As crianças e jovens alcançam o sucesso ou o fracasso na vida dependendo de como os adultos falam com eles!

“Cala o boca!”, “ Fica quieto!”,  “Você chora à toa!”, “Para de mexer nas minhas coisas!”, “ Você pensa que meu dinheiro é capim!”,  “Você é um preguiçoso!”, “ Você é uma relaxada!” , “Presta atenção”,  “Como não entendeu, acabei de explicar? ”, “Você parece um bebê!”, “Chega de enrolar!” , “Vou chamar o seu pai já!”, “Você é um orelha!”, “ Você faz um drama!”, Você é  uma exagerada!”, “Você é um mentiroso!”, “Você me deixa louca!”, “Não sei o que faço com você!”, “ Você não faz nada direito!”, Você não pensa!”, Você é um...

 

Essas são algumas frases que fazem parte da vida cotidiana de muitas crianças e adolescentes, na escola, em seus lares, na rua, nos parques, nos shoppings...

 

Segundo o Sr. Haim Ginott, psicólogo educacional  a maneira como pais e os educadores  falam,  revela para  a criança como eles se sentem em relação a ela.

As palavras dos adultos têm muito poder, pois para a criança o adulto é o máximo, ele é quem sabe das coisas, portanto, tudo o que ele falar para a criança, quer seja um elogio ou uma critica, ela vai acreditar plenamente e passar a pensar, agir e reagir de acordo com o que ouviu e acreditou.

Dependendo do que o adulto falar para ela, sua autoestima e amor próprio serão profundamente afetados e nesse momento seu destino estará sendo traçado. Perdedor ou vencedor? Confiante ou inseguro? Agressivo, passivo ou acertivo? Revoltado ou afetuoso? Corajoso ou medroso?

 

“Crianças são como cimento molhado, tudo que cai nelas deixa uma marca.

Em grande parte a linguagem do adulto,  determina o destino da criança e do adolescente.” (Haim Ginott)

 

As crianças e adolescentes tem sentimentos?

Esses sentimentos são considerados, respeitados pelos adultos?

O que as crianças  pensam sobre si mesmas?

O que elas sentem em relação a si mesmas?

Como elas lidam com os sentimentos negativos?

Como elas lidam com os desapontamentos, ressentimentos e raiva?

 

Será que com a correria do cotidiano, os pais e educadores param para identificar, reconhecer e trabalhar  os sentimentos das crianças e adolescentes com relação aos inúmeros problemas escolares e familiares?

 

O comportamento das crianças e adolescentes está diretamente ligado aos sentimentos que nutrem por si mesmas em função da auto-imagem que constroem durante todo o processo do seu desenvolvimento?

 

Como podemos  ajudar as crianças e adolescentes a  sentirem-se bem para comportarem-se bem?  

Aceitando, considerando e respeitando os seus sentimentos!

Quando elas se sentem bem, comportam-se bem!

 

Ignorando os sentimentos...

Filha: Mãe! Perdi meu casaco!

Mãe: Você pensa que tenho um pé de dinheiro no quintal, sua desligada, descuidada!!! Trate de achar ou vai passar frio!

 

Considerando os sentimentos...

Mae: Deve ser muito chato perder alguma  coisa... Será que não deixou na perua, ou no banco do pátio? Amanhã vamos perguntar para todo mundo, tenho certeza que vai acabar encontrando!

Filha: Não sei mãe, mas vou procurar e tomar mais cuidado da próxima vez.

 

Ignorando os sentimentos e provocando sentimentos de inferioridade!

Filha: Mãe! A professora de Matemática me fez ir até a lousa resolver um exercício que ela sabia que eu não sabia...só porque eu estava conversando com uma colega. Ela é uma chata e  louca!

Mãe: Quem manda ficar conversando na aula, já cansei de falar, bem feito, quem sabe assim aprende!

 

Mãe: Considerando os sentimentos...

Mae: Nossa! Isso deve ter envergonhado você... E aí?

Filha: Morri de vergonha mesmo...

(mudou de assunto)

 

Ignorando os sentimentos e provocando sentimentos de rancor, raiva!

Filha: Mãe,  odeio o professor Jorge, ele é horroroso, chato, xarope, maluco, me mandou para coordenação e eu recebi advertência!

Mãe: Você deve ter desrespeitado seu professor, senão ele não agiria desta forma. Você é uma exagerada.

Filho: Não mãe, ele que é estressado mesmo, gritou comigo, precisava ver, nem meu pai grita assim comigo! Tudo isso por que eu joguei uma bolinha pequenininha no meu colega...

Mãe: Não me diga! Ele foi grosso com você? Quem ele pensa que ele é...Eu acredito em você, deixa que amanhã eu vou ligar na escola e aí ele vai ver só uma coisa... Esse professor é um incompetente!

 

Considerando os sentimentos...

Filho: Mãe, odeio o professor Jorge, ele é horroroso, chato, xarope, maluco, me mandou para coordenação e eu recebi advertência!

Mae: Nossa! Você parece bravo, deve ter sido bem chato, bem desagradável...

Filho: Ele fez um escândalo só porque eu estava jogando bolinha no meu amigo

Mãe: Oh, e você gostaria de não ter jogado, pois a advertência fez você descobrir que sua brincadeira foi de mal gosto, numa hora errada e atrapalhou a aula?

Filho: Acho que sim... foi mal...

 

Se quisermos que nossas crianças e adolescentes sejam pessoas que se importem conosco e com os outros, então temos que nos importar com eles, identificando seus sentimentos.

- Você está brava, o que aconteceu, o que está sentindo?

- Parece que está triste...

- Parece que ficou desapontada com sua nota.

- Ficou envergonhado?

- Nossa! Foi desagradável, você se sentiu mal?

 

Às vezes o que parece o caminho mais longo é o mais curto. Gastar uns minutos para compreender e aceitar os sentimentos das crianças e jovens evita desgastes, brigas, discussões e revoltas.

Eles estão em desenvolvimento, e muitas vezes, mesmo sem querer, apesar de amá-los profundamente, falamos de qualquer jeito, deturpamos a sua

personalidade,  sem nos darmos conta. E no futuro, colhemos o que plantamos.

 

Se quisermos ter a esperança de ajudar nossas crianças e jovens a se livrarem da bagagem emocional negativa que muitas vezes carregam, precisamos aprender a falar, considerando seus sentimentos, suas emoções para que possam aprender a se expressar, a refletir sobre suas ações e adotarem novas atitudes frente aos desafios da vida, elevando sua autoestima.

 

É possível disciplinar sem ferir, estabelecer limites e assegurar o fim das agressões e humilhações.

 

Não podemos mudar o que acontece no mundo, mas podemos mudar o que acontece no nosso mundo, no nosso lar.

Tem saída, depende de cada um de nós...

O futuro deles está em nossas mãos...

 

(adaptado do texto do livro: Como falar para os aluno aprender, Adele Faber, summus)