Reconhecer e compreender o temperamento das crianças e adolescentes  é importante para auxiliar no  ajuste da personalidade

Podemos e devemos nos esforçar por melhorar o temperamento das crianças e jovens.


É o temperamento de cada criança e adolescente que faz com que eles atendam ou não as solicitações dos adultos.

Costumo fazer a seguinte indagação: por que as crianças reagem de forma tão diferente? Rotular as crianças de fáceis ou de difíceis não resolve o nosso problema.

Por que no cotidiano escolar algumas crianças são mais adaptáveis que outras, mais passivas, desligadas, distraídas, desestimuladas, descuidadas, mais lentas na execução das atividades, enquanto que outras são menos adaptáveis, mais agitadas, mais intensas, inquietas,  temperamentais, apaixonadas, dedicadas, interessadas, algumas só acatam as orientações mediante estímulos mais fortes, outras são atenciosas, prestativas, outras ainda persistentes, bem humoradas, mal-humoradas, alegres, tristes, cuidadosas, cautelosas, ousadas, atrevidas, tímidas, introvertidas, extrovertidas, e assim por diante?

Concluí que é o temperamento de cada criança que faz com que se ajuste as nossas solicitações ou não.

Dessa forma, creio que precisamos estar conscientes dos diferentes temperamentos das crianças e suas diferentes reações.

Assim, percebendo que os temperamentos representam sua predisposição,  mas jamais seu destino final, precisamos  intervir, responder à personalidade de cada criança, ajudando as mais agitadas, agressivas, a serem mais flexíveis e menos passionais e as mais lentas, passivas a serem mais dinâmicas e funcionais.

Nosso desafio é imenso. Se uma criança se mostra cautelosa, medrosa, não significa que vai ser sempre assim, os pais, os professores podem ajudar as crianças a escolherem qual a melhor maneira de agir e reagir nas várias situações.

Para que isso seja possível, os pais, os educadores precisam conhecer o próprio temperamento e como esse temperamento influencia as crianças. Uma mãe flexível pode acalmar uma criança difícil, um pai agressivo pode incitar  o medo em seu filho e torná-lo por isso passivo e inseguro.

Dessa forma, precisamos refletir sobre nossos temperamentos e como eles influenciam nas reações das crianças e na sua formação.

Precisamos reconhecer os diferentes temperamentos e respeitá-los, não desejar que as crianças sejam todas iguais, que um irmão seja igual ao outro. Devemos evitar comparações, pois as mesmas geram sentimentos de inferioridade e não altera temperamentos.

Nenhum temperamento é melhor do que outro, eles são apenas diferentes e todos são importantes. Os pais e educadores precisam reconhecê-los, compreendê-los para que possam desenvolver formas de ajudar cada criança ou jovem a desenvolver e construir um temperamento que lhes permita qualidade de  vida.

Os temperamentos enquanto predisposições precisam e  podem ser educados.

NO cotidiano escolar concluí que os temperamentos das crianças afetam mais os educadores do que sua inteligência e o temperamento dos professores afetam mais as crianças que seu conhecimento. 

A forma como ambos agem e reagem, o nível de atividade, regularidade, responsabilidade, dedicação, distração, felicidade, amabilidade, adaptabilidade, persistência, etc. é que muitas vezes determinam a qualidade do processo de ensino.

Concluí  ainda que as crianças com temperamentos difíceis vêm de lares com ambientes difíceis.

Essas crianças podem ser ajudadas se forem estimuladas, valorizadas, se realizarem atividades num ambiente que complementam seu temperamento, alcançando seu pleno potencial.

O grande desafio dos pais e educadores é acomodar os vários temperamentos, mas isso é possível mediante a observação do comportamento das crianças e dos adultos a sua volta, o comportamento dos pais, por exemplo, pois muitas vezes são a causa do temperamento difícil das crianças, o currículo e métodos de ensino podem também não contemplar os vários temperamentos das crianças. Trocar informações com os professores é importante, as vezes como um professor percebe uma criança é diferente de como os seus pais a percebem, pois a compreensão dos pais e dos educadores sobre o temperamento das crianças é vital para que prosperem e se desenvolvam.

Um grande drama no cotidiano escolar: muitas crianças apresentam comportamento negativo apenas longe de seus familiares. Em casa eles apresentam um comportamento mais positivo, assim muitas vezes,  os pais tem dificuldade em acreditar nos educadores quando apresentam o comportamento negativo dos seus filhos na escola.

O que podemos fazer? Analisar o comportamento deles e buscar soluções em parceria.

As famílias, os temperamentos não são iguais. As crianças são diferentes, pensam diferentes e reagem de formas diferentes. O que dá certo para uns, não dá certo para outros.

Os temperamentos negativos podem ser alterados, dependendo da intervenção dos pais e dos educadores.

Precisamos escolher um comportamento negativo de cada vez, gerado pelo temperamento difícil e intervir. Exemplo: uma criança agressiva que morde os amigos. Devemos conversar com ela sobre causas e os efeitos, explicar o “porque” que ela não deve morder os amigos, explicar a consequências de desobedecer às regras, elogiar a mudança de comportamento quando manifestada.


 

(Educar, uma lição de amor - Como criar filhos em um mundo sem valores, Editora Gente, 2a edição, São Paulo)